Cinco princípios de planejamento urbano para tornar as cidades sustentáveis

Cumbe Victoria em Hong Kong, China. © Sjekster, via Flickr. (Foto: ArchDaily/reprodução)

Cumbe Victoria em Hong Kong, China. © Sjekster, via Flickr. (Foto: ArchDaily/reprodução)

A urbanização na América Latina e China é um processo que tem se desenvolvido de forma muito similar, em decorrência do êxodo rural, mas que apresenta uma radical diferença: a velocidade.

Este fator se reflete, por exemplo, no fato de que nos últimos 35 anos, as cidades chinesas receberam mais de 560 milhões de habitantes provenientes das áreas rurais, quantidade equivalente a população total da América Latina, segundo o informativo “Urbanización Rápida y Desarrollo: Cumbre de América Latina y China”, elaborado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Utilizando os dados deste documento como referência, a arquiteta Nora Libertun – PhD em Desenvolvimento Urbano no MIT e mestre em urbanismo na Universidade de Harvard – acaba de elaborar cinco princípios para que a urbanização e os desafios colocados por ela possam ser abordados através de um enfoque sustentável, evitando, assim, a exagerada expansão urbana e o desequilíbrio do meio ambiente.

Veja, a seguir, os cinco princípios colocados por Nora Libertun:

1. Entender os serviços urbanos como partes de um circuito integrado.

Os serviços urbanos, como a água potável, luz elétrica e transporte público, entre outros, devem ser concebidos como um circuito único e não como a soma das suas partes através da infraestrutura de cada um.

Desta forma, a arquiteta Libertun considera que o circuito composto pelos serviços urbanos que deve ser otimizado na sua totalidade. Também apresenta um exemplo a respeito do zoneamento urbano quando se amplia a rede de transporte, entendendo que “uma melhor comunicação aumenta a demanda de espaço comercial e residencial”.

2. Alinhar os incentivos econômicos com os benefícios ambientais 

Nas cidades, é bastante comum encontrar locais urbanizados, mas em desuso. Por este motivo, a arquiteta considera que se são desenhados projetos que tornam possível reutilizar estes espaços, esta prática deve ser recompensada e não proibida.

Para isso, propõe que os incentivos possam ser documentados em políticas que promovam a ocupação em áreas urbanas, o que evitaria a construção de novos lugares nos subúrbios.

3. Compreender que a sustentabilidade é inclusiva 

A chegada de novos habitantes nas cidades traz consigo uma maior demanda de serviços urbanos. Contudo, se os governos não os proporcionam, abrem-se caminhos para a criação de serviços que abastecem os bairros informais, que na América Latina acolhem um terço da sua população urbana, ou seja, 160 milhões de pessoas segundo o informativo do BID. Na China, a porcentagem é a mesma, representando 234 milhões de habitantes.

Diante disso, Libertun apresenta a ideia que é necessário ampliar a cobertura dos serviços urbanos, considerando o fato de que a sustentabilidade não pode ser alcançada se parte da população continua excluída destes serviços.

4. Incluir a sociedade civil na proteção do meio ambiente

Casos como a recuperação e conservação do rio Erren (Taiwan) por parte dos seus habitantes e a revitalização de um espaço subutilizado na área de jogos sustentável para as crianças de Uraycamuy (Bolívia), são alguns dos exemplos do que pode acontecer quando diversas organizações trabalham junto com os habitantes, fazendo com eles valorizem e reconheçam seu entorno.

Por este motivo, a arquiteta acredita que é importante favorecer a participação das comunidades, já que é assim que “os residentes valorizam seu entorno, utilizando e cuidando”.

5. Fomentar o intercambio de conhecimento entre as cidades

A medida em que as cidades se desenvolvem, surgem novos desafios que podem ser ambientais, culturais, de desenho, gestão, etc. Por este motivo, Nora Libertun vê como uma oportunidade que as cidades compartilhem suas experiências e aprendizagens, para superar os desafios que podem ter pontos em comum.

Neste sentido, há alguns meses, Santiago integra uma rede que procura cumprir com o intercambio de conhecimento, focada em desenvolver estratégias para que as cidades saibam como se recuperar de uma crise que pode ser econômica, física e social.

Trata-se da organização 100 Cidades Resilentes, dependente da Fundação Rockefeller, que em 2014 avaliou as propostas das cidades interessadas em fazer parte desta rede e que finalmente lhe permitiu eleger 35 cidades, sendo uma delas Santiago, que foi representada pela proposta da Organização Resiliência Sul.

Se quiser saber mais dados sobre a urbanização na China e na América Latina, é possível fazer o download do informativo “Urbanización Rápida y Desarrollo: Cumbre de América Latina y China”, feito pelo BID, aqui.

Este artigo foi originalmente publicado em Plataforma Urbana.

Fonte: ArchDaily

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