Relatório do Proam identifica graves problemas na gestão de recursos hídricos na Região Metropolitana de SP

Para Carlos Bocuhy, presidente da ONG, a demora em buscar soluções contribui para elevar os custos – e São Paulo só escapará do caos se iniciar, desde já, uma infraestrutura para a sustentabilidade

Um relatório do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), organização não governamental (ONG) que estimula ações e políticas públicas com a finalidade de tornar o ambiente saudável, mostra que há graves problemas na gestão dos recursos hídricos na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O relatório, cuja primeira edição foi elaborada em 2007, foi atualizado com o processo histórico dos últimos 10 anos e está sendo divulgado em função do Dia Mundial da Água, que se comemora no dia 22 de março.

A data foi criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de promover uma reflexão, análise e conscientização sobre a preservação da água, cujas fontes (rios, lagos e represas) estão sendo contaminadas, poluídas e degradadas pela ação predatória do homem.

O levantamento do Proam aponta, no caso da RMSP, avanços mínimos na melhoria da qualidade e oferta de água desde que o primeiro diagnóstico. Nos vários aspectos analisados pelo estudo, a vulnerabilidade hídrica da região permanece alta, com baixa possibilidade de correção, conforme avaliação da entidade.

“Se a população da macrometrópole de São Paulo atingir 50 milhões nos próximos 30 anos, poderá ocorrer que os investimentos para a correção dos passivos ambientais seja elevado à mesma proporção de crescimento – e disso pode resultar uma situação de insolvência por falta de recursos econômicos. Com uma conta muito elevada, a cidade terá que sobreviver num estado de caos”, afirma o presidente do Proam, Carlos Bocuhy.  Segundo o ambientalista, “quanto mais demorarmos para dar uma solução ao quadro de dificuldades, mais cresce a degradação ambiental e os custos para as soluções ficam mais altos”.

O estudo aponta para a necessidade de construir uma infraestrutura para a sustentabilidade metropolitana, analisando a situação hídrica da RMSP sobre vários aspectos, como ecossistemas de transposição de umidade; formação das ilhas de calor; produção em relação ao consumo; diminuição da oferta natural e da capacidade de preservação; poluição; consciência pública e exercício do direito à água; e planos, ações e políticas públicas nessa área, entre outras questões. O agravamento destes cenários se dá também em função do avanço das alterações climáticas.

Em todos esses pontos, de acordo com o estudo do Proam, a vulnerabilidade da região é alta e aumenta a cada ano. Na formação de ilhas de calor, por exemplo, fenômeno das grandes metrópoles, a consequência é que a chuvas são desviadas para as áreas urbanas mais quentes e impermeabilizadas.  “O escoamento superficial da água da chuva impede a recarga dos mananciais. Diminui a regularidade das precipitações na metrópole e na região da Cantareira”. Os riscos ambientais, lembra Bocuhy, são inundações que colocam em risco vidas humanas, com exposição a doenças de veiculação hídrica e perda de bens materiais.

O relatório aponta outras vulnerabilidades, como uma crescente diminuição da produção natural de água nos ecossistemas, decorrentes do desmatamento, uso irregular e predatório do solo, aterramento de nascentes e áreas de drenagem. “Esta é uma realidade conhecida em todas as áreas dos mananciais metropolitanas. A cidade continuamente se expande e aterra os mananciais. Como exemplo, citamos a perda de produção natural da Billings, que em 1930 contava com aproximadamente 25m³ por segundo em média anual, hoje reduzidos a 12,5m³/segundo”, aponta o levantamento do Proam.

Há ainda uma diminuição da capacidade de reservação de água. Os reservatórios para abastecimento da cidade, como os do Sistema Cantareira, Billings e Guarapiranga, são impactados continuamente por processos de assoreamento. Como consequência, aponta o estudo, no período de estiagem, as reservas de água são menores. E a diminuição do volume armazenado favorece uma maior concentração de poluentes.

A poluição dos rios e reservatórios é outro grave problema, que afeta fortemente a região metropolitana. “Seus corpos de água estão contaminados com esgotos domésticos, industriais e com a carga difusa, que é a somatória de poluentes existentes na metrópole, lançados com as chuvas”. Apenas 11% dos esgotos domésticos gerados são tratados, sendo lançado in natura em rios e represas.

O estudo aponta alternativas para melhorar esse quadro. Entre outras, iniciar imediatamente os processos de recuperação e adaptação às mudanças climáticas, o que vai além do território paulista. Também promover a proteção da floresta amazônica que fornece para São Paulo 40% da umidade para proporcionar as chuvas; medidas efetivas de combate das ilhas do calor, com projetos de revegetação urbana e “telhados verdes”; diminuição de perdas na rede e combate a ligações clandestinas, além de políticas de captação de águas pluviais para reúso; proteção e recuperação da capacidade de reservação, contra o assoreamento de rios e represas; e intensificação e implementação de projetos de despoluição.

“É inaceitável que, diante deste cenário de vulnerabilidade hídrica, não exista um diagnóstico governamental eficaz e eficiente, voltado à diretrizes de planejamento, com elaboração de planos e metas de sustentabilidade de médio e longo prazo”, afirma Bocuhy. “O governo tem apenas anunciado, a cada crise, medidas emergenciais para mitigação”. Essas medidas não resolvem as questões essenciais da vulnerabilidade hídrica. É preciso criar uma infraestrutura para a sustentabilidade, de acordo com o presidente do Proam.

Leia a íntegra do Relatório clicando no link abaixo
http://www.proam.org.br/2008/imagens/documentos/19.pdf

Sobre o Proam

 O Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) é uma organização não-governamental que estimula ações e políticas públicas com a finalidade de tornar o ambiente saudável, principalmente em grandes áreas urbanas. Fundada em abril de 2003, a ONG é presidida pelo ambientalista Carlos Bocuhy (conselheiro do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama).

Desde sua fundação, o Proam tem trabalhado em defesa da boa normatização e indicadores ambientais para a elaboração de políticas públicas, realizando diagnósticos ambientais, vistorias, denúncias e cobrança de soluções e da eficácia na atuação dos órgãos competentes. Além disso, a ONG desenvolveu a campanha ambiental “Billings, Eu te quero Viva!” e o programa Metrópoles Saudáveis. Este programa, atualmente em andamento, é coordenado pelo Proam e apoiado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).


Fonte: AI

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