Proteger o solo para ter água de qualidade

Programa Microbacias Hidrográficas incentiva práticas agrícolas que minimizam os impactos ambientais

Diante da importância da água para a vida, foi instituído o dia 22 de março como a data da consciência ecológica para as questões hídricas. Entre as mais importantes atividades que influenciam na manutenção da disponibilidade dos recursos hídricos, está a agricultura, pois as formas de manejo do solo impactam diretamente na qualidade das águas. Por isso, com o objetivo de difundir as melhores técnicas de cultivo agrícola, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) mantém, desde 2001, o Programa Microbacias Hidrográficas. A ação, realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Emater e a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), tem o objetivo de proteger as nascentes e preservar as matas ciliares por meio do correto uso e manejo do solo e dos mananciais hídricos.

A primeira microbacia a fazer parte do programa foi a do Arroio Lajeado Ferreira (afluente do Rio Guaporé), na localidade de Cândido Brum, em Arvorezinha (RS), onde existem ações permanentes junto aos produtores rurais visando manter práticas conservacionistas e monitoramento dos resultados. Desde 2005 há coleta constante de informações sobre fluxos de água, sedimentos geoquímicos e atividade biológica do solo. O banco de dados criado é objeto de um estudo que agregou a participação de países estrangeiros. Pesquisadores da Alemanha, Bélgica, Brasil e Espanha atuam juntos na pesquisa global chamada “Avaliação do impacto humano nas mudanças do solo e suas consequências no funcionamento do solo”, que têm o objetivo de verificar o impacto das atividades agrícolas sobre o solo e os recursos hídricos.

Segundo o pesquisador e professor da UFSM e coordenador do programa Microbacias, Jean Minella, está comprovado que as boas práticas de manejo e conservação do solo apresentam eficiência na manutenção da qualidade da água e o principal avanço percebido com o monitoramento foi a melhoria nas condições hídricas, principalmente das fontes de abastecimento das famílias. “Quando maximizamos a infiltração da água no solo, essa fluirá lentamente até chegar aos corpos hídricos”, explica. “Nesse longo tempo de trânsito pela matriz do solo, muitos elementos químicos e particulados ficam retido no solo e a água chega mais limpa no riacho, rio ou aquífero”, acrescenta. “Além disso, esse maior tempo de trânsito faz com que a quantidade de água no riacho ou rio se mantenha próximo da média por mais tempo, diminuindo as enchentes e enxurradas nos dias de chuva e reduzindo a escassez hídrica nos períodos de estiagem”, diz o professor.

No caso do Arroio Lajeado Ferreira, alguns indicadores revelam claramente o efeito positivo das práticas de conservação de solo na qualidade da água. Durante os anos de coleta de dados diversos avanços foram percebidos pela equipe de estudiosos. “Houve redução da quantidade de fósforo, nitrogênio e coliformes nas águas dos rios e das fontes, redução das vazões máximas e redução da produção de sedimentos (erosão)”, explica Minella. Conforme o pesquisador, os estudos sobre os processos que levam à degradação ou conservação do solo e da água são apresentados em seminários para os parceiros do Programa e para os agricultores. No início de março houve um encontro com os agricultores de Cândido Brum para discutir a retomada de algumas práticas já usadas anteriormente. Além disso, está marcado para o dia 20 de abril, um evento regional para apresentação de práticas conservacionistas de solo e água específicas para a região do Arroio Lajeado Ferreira.

Para o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, há várias décadas, desde a criação do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), o setor incentiva os produtores a adotarem práticas de preservação do solo e água. “São investimentos que trazem diversos benefícios. Além de contribuir com a ecologia, os agricultores que fazem manejo adequado através da aplicação das boas práticas recomendadas têm menos gastos com adubações e mantém a valorização de suas propriedades”, comenta. “Além disso, é um compromisso do setor promover a sustentabilidade reduzindo ao mínimo possível os impactos no meio ambiente”, acrescenta o executivo.

PARA SABER
O Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, foi criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) diante da importância da água para vida e da necessidade urgente de manter esse recurso disponível. No mesmo ano, também foi divulgada a Declaração Universal dos Direitos da Água, um documento sobre as sugestões, medidas e informações necessárias para a solução dos problemas do uso da água, considerando-a um bem perecível. Neste ano, o tema escolhido pela UNU para celebrar a data é “Água e Empregos: Investir em Água é Investir em Empregos (Water and Jobs – Investing in water is investing in jobs)”.


Fonte: Assessoria de Imprensa SindiTabaco

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