Empresas de São Paulo terão R$ 10 milhões para desenvolver soluções contra o Zika

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Douglas Zampieri, da FAPESP, em reunião que orientou representantes da iniciativa privada do Estado de São Paulo sobre como solicitar apoio para inovações que contribuam para o combate ao vírus e ao Aedes aegypti (foto: Leandro Negro/Agência FAPESP)

Inseticidas menos prejudiciais à saúde humana, softwares que ajudam no monitoramento de epidemias, métodos de diagnóstico mais rápido e de baixo custo – são diversas as soluções que a iniciativa privada pode desenvolver para ampliar a abrangência dos esforços científicos de combate ao vírus Zika e ao seu mosquito transmissor, o Aedes aegypti, vetor também da dengue e das febres chikungunya e amarela.

Em resposta à epidemia que assola o país e que já fez vítimas no Estado de São Paulo, onde pelo menos sete casos de crianças nascidas com microcefalia podem estar relacionados ao Zika, a FAPESP e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) reuniram representantes de micro, pequenas e médias empresas na sexta-feira (04/03) para prestar orientações sobre os R$ 10 milhões em recursos disponibilizados pelas duas instituições para o desenvolvimento comercial e industrial de produtos, processos ou serviços que possam ser utilizados no enfrentamento do problema.

“A comunidade científica em São Paulo tem avançado muito no entendimento sobre o Aedes aegypti, os vírus que o mosquito transmite e as doenças provocadas por eles e que tanto têm vitimado o país, mas há uma série de outros avanços que dependem de um esforço ainda maior. Nós acreditamos que a iniciativa privada do estado dispõe da capacidade para prover tais soluções e, por isso, investimos em suas ideias”, disse Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da FAPESP.

Cada projeto aprovado receberá aporte de até R$ 1,5 milhão e deverá ser desenvolvido em até 24 meses por pesquisadores que tenham vínculo empregatício com a empresa selecionada ou que estejam associados a ela para sua realização.

Não há restrições temáticas para as inovações propostas, destacou Douglas Zampieri, membro da Coordenação Adjunta de Colaborações em Pesquisa e da Coordenação de Área de Pesquisa para Inovação da FAPESP.

“A ideia é aumentar a abrangência das iniciativas, convidando o setor privado e aqueles que podem empreender para, junto à comunidade científica, solucionar problemas relacionados ao controle do vetor, o que eliminaria ao mesmo tempo dengue, Zika e chikungunya, mas também ao diagnóstico rápido e de baixo custo, aos tratamentos e tantas outras demandas. FAPESP e Finep ativaram em tempo recorde esse mecanismo de estímulo a empresas para que elas proponham projetos que ataquem o problema em diferentes frentes.”

Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), participou da reunião e destacou os avanços das pesquisas na área, que envolvem desde coletas de mosquitos em São Paulo e outros estados e criação de colônias com diferentes populações para se entender sua competência vetorial – como são infectados e como transmitem o vírus – ao estudo da microbiota do inseto e à esterilização de machos.

“São diversas as abordagens científicas em curso. Agora, é preciso seguir uma sobreposição de trabalhos e de esforços da academia, da iniciativa privada, do Estado e da sociedade. Essa interação de agentes intensifica nossa capacidade de resposta ao problema”, afirmou o pesquisador, que encabeça a Rede Zika, formada por pesquisadores em várias instituições no Estado de São Paulo responsáveis por projetos de pesquisa apoiados pela FAPESP sobre o vírus e seu vetor.

Também participaram da reunião Walter Colli, membro da Coordenação Adjunta de Ciências da Vida, e Fábio Kon, da Coordenação Adjunta de Pesquisa para Inovação.

Como participar

São elegíveis como proponentes pesquisadores vinculados a micro, pequenas e médias empresas brasileiras sediadas no Estado de São Paulo constituídas até 12 meses antes do lançamento da chamada. Apesar de o edital ter sido publicado no âmbito da fase 3 do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP, realizado junto ao Programa de Apoio à Pesquisa em Empresa (PAPPE) da Finep e intitulado PIPE/PAPPE Subvenção, não há necessidade de a empresa proponente ter participado das fases 1 e 2.

O proponente não precisa ter titulação acadêmica, como mestrado ou doutorado, mas demonstrar que possui experiência profissional e competência técnica na área e ter dedicação prioritária ao projeto na empresa.

A empresa também precisa seguir regras determinadas pelo edital, como garantir condições adequadas para o desenvolvimento industrial e comercial do produto, processo ou serviço e demonstrar que dará contrapartida economicamente mensurável em itens de despesas relacionados com a execução das atividades descritas no projeto – assegurando, por exemplo, que alocará e pagará o salário de um engenheiro ou técnico de seu quadro de funcionários ou que usará determinada quantidade de máquinas e insumos próprios para realizar o projeto.

As propostas devem ser submetidas on-line, por meio do Sistema de Apoio a Gestão (SAGe) da FAPESP, até 4 de abril de 2016.

Mais informações sobre a chamada Pesquisa inovativa para o combate ao vírus Zika e ao mosquito Aedes aegypti em www.fapesp.br/10050.


Fonte: Diego Freire  |  Agência FAPESP

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