Mocidade Independente vai desfilar na Sapucaí com alegoria sustentável

Carro ‘Sagrada insurreição’ é feito com bambu, galho seco e bucha vegetal.
Cena que faz refletir lembra uma procissão de fé e esperança, em Canudos.

Em época de crise financeira, a Mocidade Independente de Padre Miguel, decidiu não só buscar alternativas mais baratas, como também sustentáveis. A prova é a quinta alegoria da escola, denominado “Sacra insurreição”, que, com exceção da estrutura de ferro e da base de madeira, é todo confeccionado com material natural ou reciclado.

Mocidade promete carro emocionante e dramático para fazer o povo refletir (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)

Mocidade promete carro emocionante e dramático para fazer o povo refletir (Imagem: Alba Valéria Mendonça, G1/reprodução)

No enredo “O Brasil de La Mancha: sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, Quixote cavaleiro, Pixote brasileiro”, o carro vem representando o Nordeste, retratando o sofrimento de retirantes nordestinos por causa da seca, da fome e da miséria. O carro traz figuras que seguem numa procissão de fé e esperança.

Para dar a ideia de aridez, os carnavalescos Alexandre Louzada e Edson Pereira usaram muito bambu, bucha vegetal, galho seco, além de sobras de borracha e isopor. No carro, além de figuras famélicas e tristes com pintura que imita madeira, haverá mais 45 componentes e um destaque.

“Como no enredo, Dom Quixote começa a conhecer o Brasil pela sua literatura, esse setor vai trazer alas que retratam obras de escritores nacionais como Guimarães Rosa, Euclides da Cunha e Ariano Suassuna. O carro faz uma alusão à Guerra de Canudos, que é um retrato quixotesco do confronto entre realidade e fantasia, estado e Igreja, no qual os pobres são os que mais sofrem”, disse Louzada, que está apostando num carnaval mais emocionante e dramático do que alegre.

“Neste carro vamos retratar a simplicidade da vida do sertanejo com cores e texturas de terra seca, para dar a ideia do sofrimento imposto ao povo”, disse Edson.

Há quem pense que fatos tristes não combinam com o carnaval, como destaca Louzada. Mas a tristeza pode e dá samba quando apresentada de forma a fazer refletir. E é assim, sem medo de ser feliz, que a Mocidade vai levar para a Sapucaí um carnaval que propõe mudanças para o país através da educação.

“Ao mesmo tempo que é um quadro triste, o carro também tem um quê de esperança e fé. Além das figuras em procissão, vamos trazer a escultura de um carcará – ave oportunista que ficou associada ao sertão nordestino – levantando voo em direção ao final da escola, como se estivesse indo embora, e um enorme sol em forma de ostensório, como símbolo sacro de transformação e consagração”, disse Louzada.

Transformação essa que vai fazer uso de materiais naturais para mostrar que o carnaval também pode ser sustentável.

Procissão de fé e esperança em cenário que lembra retirantes em Canudos (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)Procissão de fé e esperança em cenário que lembra retirantes em Canudos (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
Fonte: G1
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