Burocracia atrapalha planos do Japão para carros verdes

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Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão: Abe disse que os veículos com célula de combustível movidos a hidrogênio são “o melhor carro ecológico” (Imagem: Exame/reprodução)

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, tem grandes planos para seu país assumir a liderança em carros não poluentes. Seus burocratas estão atrapalhando.

Abe disse que os veículos com célula de combustível movidos a hidrogênio são “o melhor carro ecológico”, elogiando a promessa que eles representam para o meio ambiente e as montadoras japonesas, que estão à frente. Um símbolo dos desafios que ele está encontrando é a estação compacta de abastecimento de hidrogênio que a Honda Motor Co. teve que adiar.

A longa lista de critérios que os reguladores ainda não finalizaram depois de três anos de deliberações estão minando o interesse de governos locais nas estações, que impulsionaria o apelo do sedã Clarity Fuel Cell, da Honda. A burocracia está atrasando as ambições do Japão de ser líder do setor de veículos de célula de combustível e de sua infraestrutura de abastecimento, embora Abe tivesse prometido aliviar as regras quando apoiou o sedã Mirai, da Toyota Motor Corp., no início deste ano.

“Estamos muito confusos e perplexos com a lentidão e a dificuldade da análise de regulamentação”, disse Naoya Toida, gerente geral do escritório de planejamento de comunidade inteligente da Honda. “A regulamentação está aumentando, em vez de diminuir”.

Cerca de 100 governos locais hesitaram em encomendar as Estação de Hidrogênio Inteligente da Honda enquanto o Ministério de Economia, Comércio e Indústria (METI) do Japão não implementar regras que acomodariam instalações de abastecimento menores.

O Ministério tem conhecimento das críticas pelo atraso e planeja emitir a regulação até o fim do ano fiscal, em março, segundo Hidehiro Yajima, chefe do escritório de segurança de gás de alta pressão do METI.

1 trilhão de ienes

O governo de Abe procura fazer a transição no Japão, país com escassez de recursos, para fontes alternativas de energia e estima que o mercado de hidrogênio do país poderia crescer para 1 trilhão de ienes (US$ 8,2 bilhões) por volta de 2030.

A Honda desenvolveu a Estação de Hidrogênio Inteligente junto com Iwatani Corp., maior fornecedor de hidrogênio do Japão, para aumentar a oferta fora das grandes cidades. Apenas duas estão abertas para teste: uma na prefeitura de Saitama, um subúrbio ao norte de Tóquio, e outra em Kitakyushu, uma cidade no sul do Japão.

‘Muito lento’

“Os burocratas do Japão são cuidadosos e lentos demais, enquanto as empresas estão se movendo a um ritmo mais rápido para aproveitar a oportunidade”, disse Shoichi Kaneko, gerente sênior da Associação de Pesquisa de Tecnologia de Fornecimento/Utilização de Hidrogênio. “Essa diferença é um fardo para as empresas”.

O METI está preparando normas de segurança detalhadas para quando os governos locais decidirem comprar estações menores, afirmou Kaneko. Os governos locais estão vendo os critérios como exigências em vez de sugestões, o que está desestimulando a venda de estações compactas, disse ele.

A estratégia da Honda para desenvolver estações e equipamentos de abastecimento, e vendê-las com a Iwatani, vai um passo além da Toyota, que se ateve a apresentar o Mirai e cobrir parte dos custos de funcionamento dos postos de hidrogênio. As duas empresas estão apostando nos veículos de célula de combustível. O Clarity Fuel, da Honda, será vendido a partir de março, por 7,66 milhões de ienes, mais de um ano depois de a Toyota ter começado a vender o Mirai, que custa 7,24 milhões de ienes.

Poucas estações

A Toyota e a Honda estabeleceram metas conservadoras para as vendas iniciais dos carros, em parte devido à escassez de infraestrutura para abastecimento de hidrogênio. A Toyota planeja fabricar cerca de 2.000 sedãs Mirai em 2016, e a Honda pretende começar vendendo cerca de 200 unidades do Clarity Fuel Cell por ano.

Fomentar uma sociedade de hidrogênio é parte de um esforço mais amplo do governo japonês para reduzir a dependência do petróleo importado e encontrar uma fonte de energia alternativa à nuclear, que tem enfrentado resistência pública depois que desastres naturais paralisaram uma usina na prefeitura de Fukushima, na região leste do país, em 2011.

A Toyota planeja aumentar as vendas do Mirai para 30.000 unidades, incluindo 12.000 no Japão, por volta de 2020, ano em que Tóquio será a sede das Olimpíadas. A Honda também espera que as vendas aumentem com iniciativas como a cooperação com a General Motors Co. para cortar custos nos materiais e componentes principais.

Fonte: Exame

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