Supermercados não garante origem sustentável da carne bovina, diz Greenpeace

Relatório publicado pela ONG fez uma avaliação de grandes redes que operam no país.

confinamento-boi carne sustentável

Greenpeace destaca que grandes frigoríficos assinaram pacto pela pecuária sustentável, mas supermercados precisam se comprometer mais (Foto: Rogerio Cassimiro Ed. Globo/reprodução)

As principais redes de supermercados do Brasil não garantem que a carne bovina vendida a seus clientes é produzida seguindo regras de respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos. A conclusão é de um relatório produzido pela organização não governamental Greenpeace e divulgado, oficialmente, nesta quarta-feira (18/11), às vésperas da Conferência Internacional do Clima de Paris (COP 21).

A conclusão foi feita com base nas sete maiores redes de supermercados do Brasil. Apenas quatro das sete pesquisadas forneceram as informações, de acordo com o relatório. Não participaram os grupos Pereira-Comper, DB e Yamada, este último ligado ao presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Fernando Yamada.

O levantamento se baseou em Política (compromisso de longo prazo da empresa com as compras sustentáveis), Critérios de adoção dessa política (o que é considerado para a compra de carne) e Transparência (fornecimento de informações aos clientes). Teriam avaliação positiva os que registrassem pontuação entre 70% e 100% na ponderação dos três quesitos. Os colocados nesta faixa devem “manter e aperfeiçoar” as ações; os colocados entre 40% e 70% precisam “consolidar e tornar mais forte” sua prática. Abaixo de 40%, precisam “adotar ações urgentes”.

Nenhum deles alcançou o patamar verde do ranking, que corresponde às empresas que atingiram percentual de 70 a 100% em todas as áreas-chave que integram o ranking”, constatou o Greenpeace. A companhia mais bem avaliada foi o Walmart, com 62%. Depois apareceram grupo Carrefour (23%), Grupo Pão de Açúcar (15%), e Concosud (3%).

O Greenpeace defende que os supermercados têm papel fundamental no combate ao desmatamento relacionado à pecuária no Brasil. Como se relacionam diretamente com os consumidores, são grandes negociadores de carne bovina. “Os brasileiros têm o direito de saber se sua próxima refeição está contribuindo com a destruição da Amazônia ou com a violação de direitos humanos. Mais do que nunca, está nas mãos dos supermercados decidir se querem fazer parte da solução”, diz o documento.

Entre o que chama de “deveres” da rede supermercadista, a organização menciona assumir um compromisso público de vender carne livre de desmatamento, fornecer meios para que frigoríficos se comprometam com o desmatamento zero, apresentar publicamente sua política de aquisição de carne bovina e divulgar resultados que comprovem a eficiência de sua política.

O relatório do Greenpeace ressalta que “existem frigoríficos que são comprometidos com o Desmatamento Zero”, mas pondera que ainda é uma minoria. “Os três grandes frigoríficos (Marfrig, JBS e Minerva) que assinaram o Compromisso Público da Pecuária já estão monitorando seus fornecedores diretos e cortando relações com aqueles que desmatam. Mas ainda precisam fazer o mesmo com os fornecedores indiretos (fazendas não monitoradas e que fornecem bois, principalmente, para indústrias menores)”, defende.

Fonte: Revista Globo Rural

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