A solução é estocar vento

Com avanços no desenvolvimento de baterias, estaremos “estocando vento” (e sol) antes do que a presidente imagina.

energia eólica estocar vento

Época/reprodução

Imagine a cena. Você entra num avião, decola e, minutos depois, escuta o anúncio do comandante: “Senhores passageiros, nosso voo tem 33% de chance de se espatifar antes de chegar ao destino”.

A humanidade enfrenta uma situação análoga em relação a uma mudança climática catastrófica. Todos os esforços que vêm sendo planejados hoje para conter emissões de gases de efeito estufa nos dariam, na melhor das hipóteses, uma chance de 66% de evitar que o aquecimento da Terra ultrapassasse os 2ºC em relação à era pré-industrial. É esse o limite considerado “seguro” pelos governos.

Para evitar que o avião caia, precisamos atingir a neutralidade de carbono no planeta até 2050. Em 35 anos, cada grama de CO2 que ainda emitirmos terá que ser compensado pelo sequestro de carbono da atmosfera.

O desafio parece insuperável, uma vez que combustíveis fósseis geram 80% da energia do mundo. Mas a barreira para um mundo neutro em carbono é mais de economia política do que de tecnologia.

As energias renováveis já competem com as fósseis em preço. O limite para a solar e a eólica é, hoje, o que a presidente Dilma Rousseff definiu de maneira célebre como “estocar vento”: como armazenar a energia para os períodos sem vento e sem sol. Ocorre que, com os avanços no desenvolvimento de baterias, estaremos “estocando vento” (e sol) antes do que a presidente imagina.

Da mesma forma, o motor a combustão interna dos nossos carros está com os dias contados, graças à revolução dos motores elétricos. Menos trivial é a captura de carbono em larga escala, as chamadas “emissões negativas”. Aqui há tecnologias que ainda não se mostraram eficientes e seguras, como a captura e armazenamento geológico de carbono, o chamado CCS. Por outro lado, há uma forma testada e aprovada de capturar grandes quantidades de carbono: recuperando florestas. O Brasil, por exemplo, poderia armazenar 400 milhões de toneladas de CO2 por ano em 2050 com recuperação de vegetação nativa.

Quiçá em 35 anos, cortar florestas e queimar carvão e petróleo poderão pertencer à lista das piores ideias da humanidade, como a escravidão, o nacionalismo e o fumo. Se isso acontecer, saberemos que estamos a salvo.

Carlos Rittl, 46, é secretário-executivo do Observatório do Clima

Fonte: Época

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